08h00
Após seis dias de investigações, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru chegou ao nome do acusado pelo assassinato de Jéssica Amaro Luiz, 19 anos. Encerrado o inquérito, na manhã de ontem uma equipe da Polícia Civil foi até a residência de Anderson Luís Marquesi, 29 anos, e deteve o rapaz, que assumiu a autoria do crime realizado na madrugada do último dia 21, na Vila Independência.
De acordo com o delegado adjunto da DIG e integrante da equipe de homicídios da delegacia, Paulo Calil, as acareações indicaram Anderson como o culpado pela morte da jovem. Calil disse que a motivação do acusado para a execução foi o fato de Jéssica não ter aceitado beijá-lo, o que configurou motivo fútil e torpe.
“Ele responderá pelo crime de estupro consumado e homicídio triplamente qualificado, sendo as qualificações do homicídio o motivo fútil, torpe e inexistência de condições para defesa da vítima”, afirmou o delegado ao lembrar que a pena para homicídio é de 12 a 20 anos e para estupro começa com seis anos de detenção.
O corpo de Jéssica foi encontrado no chão de um trecho de terra que cruza uma das quadras sem número da rua Newton Prado, na Vila Independência. Ela estava sem nenhuma vestimenta da cintura para baixo e com ferimentos profundos na cabeça causados por uma pancada desferida com um pedaço de concreto pesando aproximadamente 20 quilos.
O delegado Calil destacou que Anderson assumiu a autoria do assassinato mas não confirmou que o estupro se configurou com a conjunção carnal das partes, tendo o homicida relatado que apenas beijou a vítima e que a camisinha encontrada ao lado do corpo de Jéssica não tinha ligação com o crime. “Ele disse que a camisinha não é dele e negou que tenha ocorrido conjunção carnal durante o ato que caracterizou o estupro. Ele afirmou que apenas a beijou”, ressaltou o delegado adjunto da DIG de Bauru.
Com as investigações e acareações, a polícia descobriu que a jovem esteve em um bar na avenida Castelo Branco na madrugada do dia 21 de julho acompanhada do acusado.
Munida de um mandado de busca domiciliar expedido pela 4ª Vara Criminal de Bauru, uma equipe da Polícia Civil foi até a residência do acusado, localizada na rua Argentina, na Vila Independência, e providenciou a detenção do rapaz. “Pouco depois das 7h, fomos à casa de Anderson e o surpreendemos ainda dormindo. Ao ser perguntado sobre as condições da morte da Jéssica, Anderson de pronto assumiu a autoria delituosa e confessou a maneira que teria agido”, contou Calil.
O delegado informou que também foram encontradas as roupas utilizadas por Anderson no dia do homicídio. A camiseta, boné, calça e tênis do acusado serão encaminhadas para a perícia, pois foram lavados logo após o crime por conterem vestígios de sangue.
Anderson foi enviado para a cadeia pública de Barra Bonita porque o caso já era conhecido na cadeia de Duartina, e a probabilidade dos internos se revoltarem contra ele era grande. O inquérito continua hoje, quando a mãe de Jéssica, Ana Paula da Silva Amaro, será ouvida.
Acusado contou detalhes do homicídio
Ontem, ao ser encaminhado à DIG, Anderson Luís Marquesi prestou depoimento ao delegado adjunto e membro da equipe de homicídios da delegacia, Paulo Calil, e contou os detalhes do assassinato de Jéssica Amaro Luiz.
Durante a conversa, Anderson disse que havia passado por outros dois bares localizados na avenida Castelo Branco antes de encontrar Jéssica no “bar da Jane”. Antes do crime, o acusado afirmou ter feito uso de cocaína e bebidas alcoólicas junto com dois amigos.
Ele revelou que Jéssica chegou no bar em que ele estava (o terceiro na mesma noite) por volta de 1h30, quando os dois sentaram para tomar cerveja e conversar. “Ele conhecia a Jéssica há quatro anos. Por isso, ela manteve contato com ele no bar”, relatou Calil. Anderson ficou com o carro de um dos amigos que estavam com ele no bar (um Corsa Hatch cor chumbo) e ofereceu carona para Jéssica, que aceitou. Os dois saíram sozinhos do bar por volta das 3h, quando as portas do estabelecimento se fecharam.
O assassino foi até as proximidades de sua casa, na Vila Independência, e tentou beijar Jéssica, que recusou. Em seguida, Anderson dirigiu até um lugar mais escuro onde os dois saíram do automóvel e começaram a discutir.
Segundo os relatos, eles brigaram e Jéssica tentou bater em Anderson. Com isso, o acusado desferiu um soco no queixo da garota e ela desmaiou. O assassino arrastou o corpo de Jéssica por cerca de 30 metros até uma estrada de chão batido, próxima ao Cemitério São Benedito.
De acordo com o delegado Calil, apesar de Jéssica ter sido encontrada sem calça e roupa íntima e com um preservativo ao seu lado, Anderson afirmou ter apenas beijado a moça. Com medo dos problemas em que poderia se envolver, o acusado voltou ao carro e encontrou uma pedra de concreto de aproximadamente 20 quilos.
Então, carregou a pedra até o corpo de Jéssica e a atirou na cabeça da garota, que veio a óbito com a pancada que lhe causou traumatismo craniano. A DIG ainda aguarda um laudo para confirmar se houve ou não a conjunção carnal durante o crime.
Após confirmar que Jéssica estava morta, Anderson entrou no carro e retornou para sua casa. Lá, tomou banho e ligou para “Tiago” a fim de combinar a devolução do Corsa que havia sido emprestado. Já sem o carro, lavou as roupas que usara durante o crime para tentar eliminar todos os vestígios de sangue.
Mãe diz que ainda espera por justiça
Toda família de Jéssica Amaro Luiz ficou extremamente abalada quando informada do homicídio da garota, de 19 anos. Ontem, em conversa com a reportagem do JC, a mãe da vítima, Ana Paula da Silva Amaro, afirmou que não estava calma ou tranquila com a prisão de Anderson Luís Marquesi. Inconformada e ainda debilitada pelo choque do crime, Ana Paula disse que ainda espera justiça.
Ela destacou que considera “desumana” a maneira que Jéssica foi morta. “Isso não se faz com ninguém. Gostaria que ele (Anderson) soubesse da dor que ele causou”, ressaltou a mãe, referindo-se à dor física da filha e à dor sentimental de seus familiares.
Ela disse que ainda está muito chocada e não consegue acreditar no acontecido. “Não consigo comer direito, durmo pouquíssimo e preciso me manter mais estável com remédios. Acho que precisava procurar um médico, mas não tenho forças nem para isso”, contou Ana Paula.
A mãe definiu Jéssica como uma menina fora de série, que sempre foi extremamente prestativa e atenciosa com a família. “Ela era um amor, uma excelente companheira. A gente tinha um relacionamento maravilhoso”, lamenta.
“A saudade é absurda. Não será a prisão deste rapaz ou qualquer outra coisa que fará este sentimento passar. Espero apenas justiça, que ele sinta o que minha família sentiu”, concluiu Ana Paula.
Alexandre Padilha
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