sábado, 17 de Novembro de 2018
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Sob críticas, Comitê de Gestão do Santos ganha caráter figurativo; Conselho tenta alteração

08/11/2018

16h23

Fonte: globoesporte.globo.com

Criado em 2011, na última reforma do estatuto, o Comitê de Gestão do Santos é o principal órgão administrativo do clube. Formado por nove pessoas, entre elas o presidente e o vice, é, em tese, onde são tomadas as principais decisões, entre elas a contratação de reforços, a demissão de treinadores, a busca por receitas ou o corte de despesas. Hoje, porém, perdeu força.

Se nasceu com o objetivo de diluir o poder do presidente, o Comitê de Gestão rapidamente se tornou alvo de críticas no Santos por burocratizar e engessar a administração – as decisões dependem de votação com a presença de pelo menos cinco membros.

Há em andamento no Conselho Deliberativo do Santos uma proposta de mudança do estatuto que inclui alterações no Comitê de Gestão, que passaria a ter caráter consultivo. Não há prazo para que ela seja analisada.

O modelo atual recentemente causou atrito entre o presidente José Carlos Peres, de perfil centralizador, e outros membros do Comitê de Gestão. Quatro deles, Andres Rueda, Urubatan Helou, Hannie Issa e José Carlos de Oliveira, renunciaram ao cargo poucos meses depois de assumirem. As saídas se deram em meio ao caos político instalado no clube durante o processo de impeachment, que terminou com os sócios decidindo pela permanência de Peres em setembro.

– Nosso clube tem cultura presidencialista, onde uma pessoa manda e o resto obedece. Isso sempre aconteceu, embora nosso estatuto não preveja isso – disse Rueda, ao explicar a renúncia a conselheiros.

O principal dirigente do Santos defendeu a revisão do Comitê, uma "fonte de paralisia", conforme declarou José Carlos Peres em nota divulgada pelo clube:

– Temos um modelo de gestão único com uma entidade que inexiste em qualquer grande clube. Entendo ser fundamental a discussão, detalhamento e revisão do papel do CG em estatuto para que tal órgão não seja fonte de paralisia ou jogo político como o é infelizmente hoje.

Segundo pessoas ouvidas pela reportagem, as reuniões do órgão hoje são formalidades para cumprimento do estatuto, que determina a realização dos encontros a cada 15 dias, ao menos. Uma dessas pessoas comparou as discussões travadas ali com a de amigos que conversam no bar.

Em reunião na última segunda-feira, os dirigentes discutiram a possibilidade de contratar uma dupla de velhos ídolos santistas: Diego, hoje no Flamengo, e Robinho, que está no Sivassspor, da Turquia. Isso não significa, porém, que negociações serão abertas com esses dois jogadores.

Não há qualquer negociação em andamento com Diego e Robinho. O encontro não teve a participação de membros da comissão técnica ou do executivo de futebol, o volante Renato, que até o final do ano ainda atuará como jogador do clube.

Peres prometeu autonomia ao técnico Cuca na montagem do elenco para a próxima temporada. Mas não há nem mesmo a certeza de que o treinador continue na Vila Belmiro em 2019, apesar de ter contrato até o final do ano que vem.

Cuca e Peres têm se estranhado publicamente desde a chegada do comandante, no fim de julho. As declarações do presidente – como a crítica pela falta de chance ao meia Bryan Ruiz –, e até desencontros sobre a realização de jogos na Vila Belmiro ou no Pacaembu incomodam o treinador.

Ainda que o estatuto determine que o destino do Santos seja definido pelo Comitê de Gestão, as principais decisões são tomadas na sala da presidência. E já é assim há tempos. Na gestão anterior, de Modesto Roma Júnior, publicamente contrário ao órgão, o colegiado era figurativo.

Isso se reflete nas atas das reuniões, uma obrigação estatutária, que devem ser entregues ao Conselho Deliberativo em até 10 dias.

Elas geralmente relatam os assuntos abordados nos encontros de forma superficial, sem detalhamento das discussões, ou de quem levantou determinados pautas.

O GloboEsporte.com teve acesso a uma ata da reunião do dia 3 de junho. O documento tem apenas duas páginas e lista as decisões em tópicos resumidos. O documento nem mesmo aponta como votaram os membros presentes em cada pauta.

Como funciona o Comitê de Gestão?

As reuniões do Comitê de Gestão são quinzenais e ocorrem na Vila Belmiro ou em São Paulo;

Os encontros costumam ter entre quatro e seis horas de duração, dependendo das pautas a serem discutidas;

Cada gestor apresenta uma pauta para discussão, seja ela sobre reforços, sobre a administração ou algum outro assunto de interesse do Santos;

Sobre reforços: não há uma lista lista previamente feita antes das reuniões. Ou seja, os gestores falam sobre nomes de jogadores que podem entrar na mira do clube no futuro, mas de forma despretensiosa, já que a definição depende de análise da comissão técnica;

O executivo de futebol Renato, responsável pela avaliação e contratação de reforços, não participa da reunião do Comitê de Gestão;

O principal foco do encontro é sobre questões administrativas: receitas, despesas e cortes a serem feitos para que o clube tenha caixa para futuras demandas da comissão técnica;

O vice-presidente Orlando Rollo, hoje rachado com o presidente José Carlos Peres, não compareceu às duas últimas reuniões, as primeiras dos quatro novos membros do CG: Anilton Perão, José Carbone, Matheus Del Corso Rodrigues e Paulo Schiff;

O quarteto citado acima se juntou ao próprio Peres, o vice Orlando Rollo, além de Pedro Doria, Estevam Juhas e Fabio Gaia.

 

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