segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
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Parapuã: Prefeito diz que custo para reabrir matadouro é inviável

25/03/2013

 

09h44

Após ser interditado por tempo indeterminado, o matadouro municipal continua sendo motivo de preocupação. O prefeito Samir Alberto Pernomian (PP) afirmou na sexta-feira (22) que o custo para adequação do local é inviável, chegando a R$ 1 milhão.

O matadouro foi alvo de recente reportagem do ‘Fantástico’ da Rede Globo. Segundo o prefeito, após denúncia todos os principais órgãos oficiais acirram a fiscalização do local. “Essa denúncia foi feita por quem tinha a incumbência de manter o local em ordem e só fez a acusação após ser expulso do local por ordem da Justiça”, afirmou.

Após a interdição, feita em 25 de fevereiro, o matadouro de Parapuã passou por uma limpeza e recebeu alguns reparos superficiais. “Com base em consultas técnicas é possível estimar que para a adequação do matadouro, respeitando o que a lei exige, gastaremos entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, e a Prefeitura não tem esse dinheiro. Além disso, pelo tanto que ele vinha sendo utilizado, não compensa. Hoje praticamente todos os estabelecimentos da cidade compram carne de frigoríficos. Ainda vamos ouvir outras pessoas e órgãos, mas hoje eu considero remota a possibilidade de reabrir o matadouro”, disse Samir.

Motivo político - Samir também afirmou não ter dúvidas que a denúncia feita à televisão tem motivação político-partidária e interesse pessoal do denunciante Alessandro Roberto dos Santos. “Porque ele passou tanto tempo encostado de favor pelo ex-prefeito lá e nunca denunciou essa situação? Porque ele só chamou a TV quando foi expulso do local por ordem da Justiça? Nós tentamos durante 2012, por bem, de forma pacífica que ele desocupasse o local, o que não aconteceu.

Quando saiu pela força da Justiça, encontramos o lugar sujo. Aliás, Alessandro denunciou a própria incompetência, já que, teoricamente (mesmo de forma ilegal) ele deveria cuidar daquele lugar. E como encontramos o matadouro nos dá a certeza de que não foi cuidado. Enquanto ele estava lá, morando de graça e explorando comercialmente um patrimônio da Prefeitura, estava tudo certo. Quando a Justiça o expulsou, não prestava mais. Claro que isso tem o oportunismo de adversários políticos, tão incompetentes e irresponsáveis quanto aquelas pessoas que permitiram esse cidadão ser encostado lá de forma totalmente ilegal”, desabafou o prefeito ao IMPACTO.

Em relação a possíveis prejuízos de comerciantes, pequenos produtores rurais criadores que faziam uso do matadouro, Samir afirmou que sente muito. “As pessoas prejudicadas e a população em geral já sabem quem está por trás das denúncias e quem são os responsáveis pelo provável fechamento definitivo. É gente que foi expulsa da política (uns pelo povo e outros pela Justiça) e que nos últimos anos vem apenas atravancando o desenvolvimento de nosso município, colocando em primeiro plano os interesses particulares e de pequenos grupos. Eles tiveram uma sonora resposta na eleição do ano passado, mas parece que não querem ver e continuam fazendo a única coisa que sabem. Destruir e criticar. Para o interesse público, entendo que não compensa reabrir o matadouro”, concluiu.

O fato - De acordo com o advogado Flávio Soato, em dezembro de 2008 o ex-prefeito Antônio Alves que foi cassado pela Justiça, ‘colocou’ Alessandro, que não possui vínculo com a municipalidade, como responsável pela manutenção do matadouro. “Ele deveria cuidar da limpeza e da segurança deste espaço público. Em troca, moraria na casa que existe no local e tinha direito aos ‘miúdos’ dos animais abatidos no matadouro”, afirma. Mas, no último ano, Alessandro já não mantinha as condições de limpeza. “Sabendo da situação, o prefeito Samir, que assumiu no início de 2012, tentou de forma amigavelmente uma solução para resolver os problemas do matadouro. O ‘responsável’ já não fazia higiene do local e estava se indispondo com os funcionários da Prefeitura, tanto é que não conversava com funcionários da Casa da Agricultura e nem com o médico veterinário”, argumentou o advogado.

Depois de diversas tentativas de acordo, a administração solicitou a reintegração de posse. “Foram pedidas várias vezes que Alessandro desocupasse o local. Como não ocorreu, foi solicitado em dezembro pelo prefeito, que entrasse com pedido de reintegração de posse. Neste período, o Fórum estava em recesso. Assim, em fevereiro o Departamento Jurídico solicitou tal medida para a 2ª Vara da Justiça Cível da Comarca de Osvaldo Cruz, que concedeu a reintegração”, explicou.

Inicialmente, foi decretado interdição do local por 15 dias. Devido às condições encontradas, o prefeito Samir determinou que o matadouro permanecesse fechado por tempo indeterminado. Depois que o matadouro ‘voltou a responsabilidade da Prefeitura’, uma limpeza geral e algumas obras emergenciais foram feitas naquele espaço. “Após a reintegração de posse, Alessandro realizou denúncia sobre a precariedade do local para a TV Fronteira, tornando assunto em matéria vinculada até no Fantástico”, destaca Soato.

Comércio - Os estabelecimentos comerciais que vendem carne em Parapuã afirmaram que ja não utilizava o matadouro. De acordo com o proprietário da Casa de Carne Santa Maria, Ariovaldo Aparecido Cavichio, o estabelecimento não abatia mais carne no matadouro municipal há um ano. “Tenho documentos que comprovam que não utilizava este local. A carne do meu estabelecimento é proveniente de frigorífico de Martinópolis”, afirma.

Segundo Juliano Munhoz, da Casa de Carne Santo Antônio, devido à condição do local ele optou por não utilizar o matadouro há meses. Já Luciano Ventrani Santiago, proprietário do Empório Nelore, afirmou que há aproximadamente seis anos que também não utilizava o matadouro. “Abater o gado requer tempo. Assim, deixei de utilizar o local já que o custo/beneficio não estava compensando”, afirma.

Além disso, a gerente do Supermercado Santo Antônio disse que há três anos, quando começou a perceber a falta de condições no local, parou de utilizar o matadouro. Já o Supermercado Vitória afirma que nunca utilizou o matadouro. Todos os estabelecimentos garantiram a procedência da carne, já que estão de acordo com as normas sanitárias.

De acordo com informações colhidas pela reportagem, o matadouro municipal de Parapuã nos últimos meses era utilizado apenas por particulares, sem a intenção de comercialização da carne. “Hoje ninguém utiliza o matadouro, que está totalmente interditado”, destacou o advogado.

 Fonte: www.ginoticias.com.br / João Vinícius

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