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Esportes

Corinthians cruza 38 vezes contra a Chape e faz apenas segundo gol em 156 escanteios no Brasileirão

03 de Novembro de 2021

00h20

Fonte: ge.globo.com - Por Ana Canhedo, Henrique Toth e Marcelo Braga

O gol da vitória do Corinthians por 1 a 0 contra a Chapecoense, marcado por Róger Guedes no último lance da partida, foi apenas o segundo originado de uma cobrança de escanteio no Campeonato Brasileiro em 156 tentativas. Foram 38 bolas cruzadas na área durante a partida.

Antes desse lance, com cobrança de Adson, desvio de Jô e gol de Guedes, o outro saiu na vitória contra o Sport, no primeiro turno: Mateus Vital cobrou, Gil subiu para a disputa e a bola sobrou para Jô, que marcou de pé direito. O jogo foi válido pela sexta rodada, em 24 de junho.

Em entrevista coletiva após o duelo, Sylvinho foi insistentemente questionado sobre o excesso de cruzamentos e defendeu sua estratégia. Dos 38 cruzamentos, apenas oito foram certos. Foram ao menos quatro perguntas sobre o tema direcionadas ao treinador.

– O adversário fecha, você abre. Faltou um homem de primeiro pau para puxar e desmontar essa linha. O adversário preenchia a área. Se não mexer no primeiro pau, desestabilizar, mudar o posicionamento, fica simples para tirar. É algo trabalhado, mas ao longo do tempo, não saindo gol, tivemos que insistir mais. Era muito difícil entrar por dentro, e as opções foram essas. Tivemos 38 cruzamentos, que são passes incertos. No contra-ataque é mais fácil, a área está mais limpa, mas com oito atletas na área é mais difícil. Se teve um erro nosso, não foi o cruzamento, mas sim atacar a bola – disse Sylvinho.

Em outra resposta, o técnico voltou a aliar o fato de insistir em cruzamentos com o jogo fechado da Chapecoense, que disponibilizou ao Corinthians pouquíssimos espaços no ataque.

– Quando você tem um time adversário que atrasa as linhas, vem na proposta de se defender o tempo que for necessário... Obviamente a melhor jogada que tem hoje no futebol é entrar entre as linhas, aquela parte do meio-campo que você passa a primeira linha do adversário, seu atleta recebe, vira e joga contra a parte defensiva. Mas nem sempre ocorre isso porque essas linhas são curtas, aí você busca amplitude, aí vem o cruzamento. Da amplitude você não volta mais. A não ser que o adversário te feche. No mundo inteiro se escuta falar, grandes treinadores falam: "Se fecham, eu tenho que dar amplitude, aí fico com cruzamento".

– O cruzamento é quase um passe incerto, não é algo seguro como trabalhar entre as linhas. É mais fácil a execução, tem mais controle da situação. Mas quando entra na amplitude é porque está tudo fechado por dentro. Mas respondendo a pergunta, sim, o primeiro pau é algo que a gente ataca muito. Não somos um time de muita altura. E já fizemos gols assim, Roni, Jô, em bola de cruzamento que ele gira como quase fez hoje. Nos faltou um pouco de entrada no primeiro pau. Um atleta entra ali e desvia a bola ou cria espaço atrás na área – completou.

Após o jogo contra o Fluminense, há três rodadas, Sylvinho havia falado sobre a baixa estatura do elenco como um todo. Contra a Chape, ele classificou o excesso de cruzamentos como única opção.

– Os números que tenho são 38 cruzamentos. Não sou somente eu quem escolhe, o atleta joga, nós montamos uma estratégia. O outro time se defende em duas linhas de quatro e te dá o lado do campo, onde o cruzamento é um passe incerto. Se ele fecha por dentro, onde queremos entrar, e o atleta de mais qualidade quer o passe, mas sobra a amplitude. Na construção de jogo ela vira uma segunda opção. Entrar por dentro não somos nós que escolhemos – seguiu o técnico.

Na próxima rodada, o Corinthians volta a jogar na Neo Química Arena, contra o Fortaleza, às 17h (de Brasília), pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Timão é o sexto, com 44 pontos, e o rival o quinto, com 48.

– Se a gente faz um gol no começo, te sobra amplitude e por dentro. Então seja, quanto mais tranquilo estiver em campo, eu escolho, o adversário sai. Fica fácil. Não foi fácil, criamos situações por dentro e fora, mas o gol não veio. Ficamos mais nervosos, com adversário, arbitragem, atraso do jogo, mas é do jogo. Um time menos qualificado tecnicamente consegue ganhar do líder, isso ocorre no futebol, sabíamos da dificuldade, mas também da responsabilidade de ganhar em casa – encerrou Sylvinho.