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Esportes

Substituto de Fagner, Michel cita ‘’briga’’ para jogar no Corinthians e relembra início no meio-campo

07 de Junho de 2019

14h33

Fonte: globoesporte.globo.com (clique aqui e leia a matéria no GloboEsporte)

Substituto de Fagner no Corinthians, o lateral-direito Michel, de 29 anos, "sofreu" para conseguir jogar no Timão. Antes de entrar em campo contra o Cruzeiro, neste sábado, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro, às 19h (de Brasília), no Mineirão, o ala contou ao GloboEsporte.com um pouco de sua trajetória.

O jogo entre Cruzeiro e Corinthians terá transmissão ao vivo do Premiere para todo o país, com narração de Rogério Corrêa e comentários de Bob Faria e Ricardinho. O GloboEsporte.com acompanha em tempo real, com vídeos, e faz uma "live" depois do jogo com análise dos comentaristas e entrevistas dos técnicos e jogadores dos dois times.

Antes agenciado por uma empresa internacional, Michel chegou a receber uma consulta do São Paulo no ano passado. Semanas depois, foi a vez de o Corinthians procurá-lo. Por orientação da empresa, "enrolou" os dois clubes e, aflito para acertar com o Timão, rompeu relações com o grupo, que tinha nos planos mantê-lo na Europa.

– O São Paulo havia entrado em contato com meu irmão. Resolvi esperar, a janela ainda iria abrir (em junho de 2018). A empresa falou para eu ter calma, que tudo viria no tempo certo. Duas ou três semanas depois, chegou o Corinthians. Fiquei baqueado, falei que queria jogar aqui. Falaram de novo para eu esperar. Foi quando eu tive meio que uma briga com eles. Queria assinar de qualquer maneira – conta o jogador.

– Falei que se mandassem mesmo eu esperar, eu não iria renovar o contrato (de representação) com eles e realizaria meu desejo de jogar no Corinthians. Insistiram para eu esperar, e tivemos outra briga. Rompi. Fiquei só com meu irmão, mas aquela proposta passou. Um pouco depois, o Corinthians voltou a entrar em contato e falei para meu irmão que nem pensar. Só queria assinar. Foi um alívio.

O irmão de Michel, Wendel, foi quem conduziu as negociações com o Timão na metade final de 2018, meses depois de encerrado o vínculo do jogador com o Las Palmas, da Espanha. A ida ao Corinthians foi sem custos, depois de um susto de alguns meses sem clube. Michel foi anunciado em outubro, com contrato assinado até dezembro de 2021.

Carioca, o ala foi formado na base do Botafogo e passou pelo Flamengo antes de se aventurar no futebol espanhol. Foram sete temporadas no Almería e outras duas no Las Palmas. Embora tenha sido emprestado ao Atlético-MG por dois anos (2012 a 2014), estreou profissionalmente fora do Brasil. No começo da carreira, nem lateral era.

– Não era lateral, era meia direita. Fiquei um ano jogando como meia na base do Botafogo, aos 14 anos. Aos 15, o lateral titular não pôde jogar e joguei ali a pedido do técnico. Topei quando ele me pediu. O time ganhou, era uma semifinal do Carioca Sub-15. Ganhamos e classificamos à final. Treinador perguntou se eu gostaria de seguir ali, porque estava sem lateral, e eu falei que sim. Fui pegando ritmo, ganhando elogios. Acabei ficando – conta.

Anos mais tarde, Michel está no meio de boa sequência na lateral no time titular do Corinthians. Na Venezuela, contra o Deportivo Lara, pela Copa Sul-Americana, Fagner saiu com dores e foi substituído por ele. Contra o Flamengo, na última terça-feira, Michel foi titular. Agora, estará na equipe nas partidas contra Cruzeiro e Santos, ambas pelo Brasileirão, antes da pausa para a Copa América.

– Pela bagagem do Fagner, por tudo o que conquistou dentro do clube, é complicado suprir a sua ausência. Você tem de estar muito bem e confiante para isso. Não esperava atuar contra o Flamengo, achei que ele fosse jogar. Mas conversei com a minha família, tive tranquilidade. As chances vão aparecendo pouco a pouco e preciso agarrar. Sou maduro – explica.

Confira um bate-papo com Michel, lateral-direito do Corinthians:

GloboEsporte.com: como foi sua passagem pela base de Botafogo e Flamengo?

Michel: Comecei no futsal, com sete anos. Tive a chance de estrear no campo pelo Botafogo com 14. Com 17 anos, o técnico do Flamengo foi na minha casa, conversou comigo e perguntou se queria ir para lá. Disse que ele teria de falar diretamente com o Botafogo, porque ainda tinha um ano de contrato. Consegui sair e fui para o Flamengo. Fui como lateral, não era mais meia. Tive minha base dos 17 aos 18 no Flamengo.

E como foi parar na Espanha?

– À época, fui chamado à seleção brasileira sub-17. Fizemos um campeonato na Espanha, o Torneio Mediterrâneo. Eu me destaquei e havia um olheiro do Almería por lá. Perguntou quem era meu empresário. Era o Eduardo Uram. Entraram em contato e acabaram se acertando. Quando eu completei 18 anos, não cheguei nem a estrear pelo profissional do Flamengo, fui direto para lá. No Almería, fiquei quatro meses sem jogar, me adaptando até fazer minha estreia como profissional.

Como foi sua adaptação e seu período na Europa?

– Adaptação é complicada, porque você abre mão de muita coisa: cultura brasileira, comida, alimentação, amigos, acho que todo jogador tem de passar por isso pelo sonho. Abre mão da família, porque eu fui sozinho. Passaram-se duas semanas e o clube conseguiu levar minha família para lá e me ajudou bastante. Nos três primeiros meses eu tive essa adaptação um pouco lenta. Em três meses, ainda estava meio inseguro. Família me passou força e fiquei mais calmo com quatro ou cinco meses. Quando você trabalha tranquilo, bem, as coisas vão acontecendo.

No meio de sua passagem por lá, foi emprestado ao Atlético-MG. Foi um pedido seu?

– Eu fiquei cinco anos no Almería, depois pedi para voltar ao Brasil e fiquei por dois anos no Galo. Voltei para a Espanha e fiquei mais dois anos lá. Foram sete anos no Almería. Tive uma passagem curta pelo Atlético. Nós ganhamos a Libertadores (em 2013), e isso foi muito importante para a minha carreira, mas tive poucas chances.

Foi impactante ser contratado pelo Corinthians depois de tanto tempo fora?

– Foi, sim. Tem um impacto. Na Espanha, não atuei em clubes de expressão. Então, chegar em um time como o Corinthians, com a grandeza que tem, é um impacto grande na carreira. Mas está servindo de aprendizado, estou realizando um sonho. Atuar como estou atuando. Estou trabalhando forte, dando o máximo, para render o máximo quando estiver em campo.

Mas chegou a falar em desmotivação por jogar pouco em uma entrevista coletiva no CT Joaquim Grava. Como superou isso no Corinthians, já que segue na reserva do Fagner?

– Não disse aquilo nem por mim, disse por todos os jogadores. Quando não joga, não é que fica triste ou desmotivado, mas é fato que todo jogador gosta de jogar. As oportunidades vão aparecendo pouco a pouco e eu preciso agarrar. Lá fora passei por isso. Cheguei e o Campeonato Espanhol tinha acabado de começar, fiquei quatro meses só treinando e só fui ter a primeira chance com cinco meses. Adaptação lá fora foi difícil, mas eu tinha minha família. Hoje, sou mais maduro, sei esperar meu momento, minha hora. Tenho essa tranquilidade para poder trabalhar bem para agarrar quando surgir.

Conversa com Fábio Carille sobre isso?

– Minha relação com ele é de amigo. Apesar de ser o treinador, conversa bastante com os jogadores, passa o que quer e o espera nos treinos, isso ajuda quem não vem jogando. É uma relação muito boa, somos uma equipe, uma família, convivemos mais dentro do Corinthians do que com a família em casa. Isso ajuda bastante.

Você é casado com a Andressa Soares (a funkeira Mulher Melancia). Ela te ajuda a regrar a alimentação? Como é a relação de vocês?

– Na alimentação, ela me ajuda bastante. Sou muito de comer o que eu vejo, eu vejo chocolate e quero comer. Ela me bloqueia. A gente faz várias dietas juntos e isso facilita, me ajuda dentro de campo. Se você tem uma boa alimentação e treino em campo, o rendimento vai ser muito melhor. Dentro de casa, na hora do almoço, na hora do jantar. Antes, a gente treinava bastante junto. Mas agora ela está um pouco afastada da academia, pois tem outros projetos. De vez em quando, ela dá uns treinos, mas não estou mais neles.